O Bahia encerrou uma sequência de cinco empates no Campeonato Brasileiro justamente no Ba-Vi. Após o triunfo por 2 a 0 sobre o Vitória, neste domingo (23), no Barradão, Rogério Ceni exaltou a atuação tricolor e apontou a postura apresentada no clássico como um comportamento que precisa ser mantido até o fim da temporada.
Alejo Véliz e Jean Lucas marcaram os gols que garantiram o triunfo do Esquadrão pela 24ª rodada do Brasileirão. Na entrevista coletiva após a partida, Ceni avaliou que o Bahia teve oportunidades para construir uma vantagem ainda maior.
“Eu acho que merecemos ter feito esse 2 a 0 mais cedo; criamos para isso, mas é uma dificuldade a gente vem passando, de fazer o gol. Eu acho que poderíamos ter feito o segundo gol mais cedo e, consequentemente, o terceiro. Foi uma partida bem jogada, diferente das duas últimas onde conseguimos dois pontos, mas não jogamos tão bem. Muito parecido com o que foi contra o Corinthians, em que dominamos o Corinthians, ficamos com todas as oportunidades, do segundo tempo contra o Atlético Mineiro, que foi muito bom. Bastantes fatos positivos a se destacar, além de reconhecer os jogadores, a postura que eles tiveram essa semana de concentração, hoje na preleção, aparece muito mérito da entrega que eles tiveram”, explicou.
Para o treinador, a missão agora é transformar o desempenho apresentado no Barradão em padrão para a reta final do Campeonato Brasileiro.
“Se eles fizeram isso aqui hoje, é algo que nós temos que levar daqui para frente até o final do campeonato”, completou.
Ceni ainda avaliou que o Bahia conseguiu controlar grande parte do clássico, mesmo reconhecendo a dificuldade de manter superioridade durante os 90 minutos.
“Se manter sempre superior no jogo, sem ter oscilações… Hoje até foi uma exceção; foram poucos momentos em que o Vitória teve domínio no jogo. Também, um gramado difícil… Nosso gramado tá ruim, mas aqui está terrível jogar com a bola no chão. Então, assim, se manter superior durante os 90 minutos é difícil para qualquer time, mesmo com a diferença de qualidade. Mas hoje tivemos 85 a 90% do jogo bem; conseguimos jogar. Merecia ser um placar um pouco mais elástico do que foi”, analisou.
KIKE GANHA OPORTUNIDADE APÓS PERÍODO DE INDEFINIÇÃO
Uma das surpresas na escalação inicial foi Kike Olivera. O atacante vinha realizando trabalhos separados enquanto aguardava uma possível negociação, mas voltou a ganhar espaço nos últimos dias e começou o Ba-Vi como titular.
Ceni explicou que o desempenho do uruguaio durante a semana pesou na decisão e defendeu que a situação envolvendo uma possível transferência não poderia determinar a utilização do jogador.
“Se você tem um emprego e alguém te oferece uma boa proposta, você tem direito a pensar nisso? Tem. O clube não está aqui para pagar salário de jogador para que ele fique sentado e encostado. Ninguém é descartável, e tudo custa muito caro no futebol. Ele [Kike] treinou bem durante a semana. Teve uma proposta, ficou balançado…”
“Nós não temos que pensar com a mesma cabeça de quem tá torcendo, fica nervoso e chateado. Treinou bem, merecia a chance. Fez um trabalho tático importantíssimo e fez uma boa partida”, completou.
CENI ELOGIA ADAPTAÇÃO DE ALEJO VÉLIZ
Autor do primeiro gol do Bahia, Alejo Véliz também recebeu elogios do treinador. Para Ceni, o centroavante argentino mostrou adaptação não apenas ao modelo de jogo, mas também ao ambiente de pressão de um clássico no Barradão.
“Ele [Alejo] tá bem acostumado com esse tipo de jogo. Um clima, relativamente, bem hostil. É um competidor, um cara que se adaptou bastante no sentido de luta, de pressão. Ele ajuda muito junto com o Kike e o Pulga. Ele se sente confortável em jogar esse tipo de partida, é um cara que tem entregado muito, um menino fantástico como pessoa. [O gol dele, de pênalti, contra a Chapecoense] talvez foi importante para que ele fizesse a partida que foi hoje”, falou Rogério.
Apesar do controle apresentado pelo Bahia durante grande parte do confronto, Ceni apontou um momento que poderia ter mudado o rumo da partida. Nos minutos finais do primeiro tempo, Renê teve a principal oportunidade do Vitória ao sair cara a cara com Ronaldo.
“Nós tivemos um grande ponto de desatenção que é inconcebível, é o último lance do primeiro tempo [quando Renê sai cara a cara com Ronaldo], esse foi o grande erro [do Bahia] no jogo e foi também a grande oportunidade [do Vitória] no jogo”, afirmou.
CENI REBATE “NARRATIVAS” SOBRE DIFERENÇA ENTRE BAHIA E VITÓRIA
O treinador também comentou as comparações financeiras entre os rivais e rebateu a narrativa de uma diferença muito grande entre os investimentos realizados pelos clubes.
“O time de 2024 perdeu na fase classificatória e o primeiro jogo da final aqui. Dos últimos dez jogos, acho que só temos uma derrota em clássico. Acho que são narrativas. A do Vitória é de que é o time do milhão contra o time do tostão. Mas a gente deve ter 10% ou 20% a mais de folha. Mas tem essa narrativa que foi comprada. Entendo também por que o grupo [City] não fala tanto e as coisas caem no treinador. Entendo que isso dá bastante notícia.”
Ceni também voltou a defender o processo de construção do elenco e a regularidade alcançada pelo Bahia nas últimas temporadas.
“Esse não foi o ano que mais contratamos. São poucos times brasileiros, além de Flamengo e Palmeiras, que jogam três Libertadores seguidas. Sei que todos esperam um título, mas a gente vem tentando entregar uma regularidade ao torcedor. Espero que esse salto possa acontecer com contratações e investimentos. E outra coisa, jogadores não são produtos descartáveis, são contratos de quatro ou cinco anos.”
“PONTO DE RECONEXÃO”
Depois de quebrar a sequência de cinco empates justamente diante do maior rival, Rogério Ceni projetou o próximo compromisso como uma oportunidade para aproximar novamente equipe e torcida.
“Não é normal um treinador conseguir ficar praticamente três anos no mesmo clube. Espero que o torcedor esteja presente no domingo [contra o Internacional], que seja um ponto de reconexão.”
O Bahia volta a campo no próximo domingo (30), quando recebe o Internacional, às 19h30, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.