De quatro. Pode voltar também, Argentina.

Maradona tinha razão quando disse, após a eliminação do Brasil, que tinha muito com o que se preocupar e não falaria sobre o assunto. Neste sábado, a afirmação de Don Diego fez todo o sentido do mundo: a Alemanha fez implacáveis 4 a 0 nos hermanos, tendo sido melhor durante toda a partida.

Nem todos os santos, nem todos os craques e toda ofensividade argentina foram suficientes para derrotar a nova Alemanha de poloneses, turcos, tunisianos e até brasileiros. A Alemanha que não joga como a de antigamente, é rápida, objetiva e insinuante. A Alemanha que chega à semifinal da Copa do Mundo como principal favorita à conquista do título.

ARGENTINA COMEÇA VENCENDO. NAS CAMISAS…

A Argentina foi a campo com a camisa celeste e branca, como a que vestia no título mundial de 1986, que conquistou após vencer a Alemanha na final. De azul, contra os próprios alemães, as lembranças não eram boas: vice-campeonato em 1990 e eliminação no último Mundial. A superstição jogava a favor, mas Otamendi, no início, parecia querer jogar contra…

O lateral-direito não foi tão direito assim ao cometer a falta que originou o primeiro gol alemão. Schweinsteiger cruzou e Müller – aproveitando vacilo dele mesmo, Otamendi – desviou de cabeça. Traiu Romero, que ajudou a bola a entrar no próprio gol ao tocar de pé direito, sem querer. E a Alemanha viria a fim de engolir os argentinos.

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Envolvente, trocando passes com rapidez, o time dirigido por Joachim Löw sufocou os hermanos. Burdisso e Demichelis pareciam perdidos, e o posicionamento do setor defensivo da Argentina – os jogadores estavam distantes uns dos outros – facilitava a vida dos europeus. E olha que Özil, uma das sensações desta Copa, pouco viu a bola.

KLOSE DESPERDIÇA GRANDE CHANCE. E ARGENTINA, ENFIM, ENTRA EM CAMPO

Klose teve a chance de ouro e perdeu, após bela jogada de Müller pela direita. O jovem alemão aproveitou que Burdisso e Heinze bateram cabeça, avançou e tocou para o artilheiro. Mas de canela é difícil, e Klose isolou. E a Argentina, que já havia se encontrado, passou a chegar mais constantemente ao ataque.

Pouco depois de meia hora de jogo, Di María conseguiu dar o primeiro chute a gol dos argentinos. Mas não deu trabalho a Neuer. Higuaín chegou em seguida, girando sobre o zagueiro e batendo de esquerda, também sem muito perigo. Os hermanos estavam no jogo de vez e deixaram o campo no primeiro tempo aplaudidos por Maradona.

Os dez primeiros minutos da segunda etapa foram da Argentina. Mas esbarrava ora na defesa argentina, ora na deficiência do ataque – principalmente de Higuaín. Tudo bem que ele já marcou quatro vezes na Copa, mas não acertou nada daquilo que tentou contra a Alemanha. E já havia cometido deslizes em outras partidas deste Mundial.

UM, DOIS, TRÊS

Os alemães se fecharam e tentavam sair no contra-ataque. Para completar, Otamendi parecia mesmo ter vontade de ser o principal personagem da partida. Fez faltas próximas à área que levaram perigo. E foi pelo setor direito de defesa da Argentina que a Alemanha chegou ao segundo: Podolski avançou sozinho, sem marcação, e rolou para Klose: 2 a 0.

A Argentina se lançou ao ataque desesperadamente. E a alteração de Diego Maradona para chegar ao empate, àquela altura ainda mais difícil, foi no mínimo questionável: com Milito e Agüero no banco, o Pibe lançou Pastore no lugar de Otamendi. Não é preciso dizer o que aconteceu…

Nada mudou a favor dos hermanos, apenas contra. Schweinsteiger desmontou a defesa argentina pela esquerda de ataque – mesmo após a saída de Otamendi – e, após deixar todos os marcadores para trás, cruzou para o gol do zagueiro Friedrich fazer o terceiro.

Mas ainda havia tempo para mais. Klose fez o quarto gol da Alemanha, seu 14º em Copas do Mundo – igualando-se a Gerd Müller, ficando a um de Ronaldo, maior artilheiro dos Mundiais. Messi, Melhor do Mundo pela Fifa, passou em branco. Celeste e branco. O uniforme, desta vez, não deu sorte.

FICHA TÉCNICA

ARGENTINA 0x4 ALEMANHA

ESTÁDIO: Green Point, Cidade do Cabo
DATA E HORA: Sábado, 3 de julho de 2010, às 11h (de Brasília)
ÁRBITRO: Ravshan Irmatov (UZB)
AUXILIARES: Rafael Ilyasov e Bakhadyr Kochkarov (UZB)
CARTÕES AMARELOS: Otamendi (ARG); Müller (ALE)
GOLS: Müller (0-1), aos 3’/1ºT; Klose (0-2), aos 23’/2ºT; Friedrich (0-3), aos 28’/2ºT; Klose (0-4), aos 42’/2ºT

ARGENTINA: Romero; Otamendi (Pastore, 24’/2ºT), Demichelis, Burdisso e Heinze; Mascherano, Maxi Rodríguez e Di María (Agüero, 30’/2ºT); Messi, Tévez e Higuaín
Técnico: Diego Maradona

ALEMANHA: Neuer; Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng (Jansen, 27’/2ºT); Khedira (Kroos, 31’/2ºT), Schweinsteiger, Müller (Trochowski, 38’/2ºT), Özil e Podolski; Klose
Técnico: Joachim Löw