Do Santos ao Barça, os detalhes dos acordos que levaram Neymar à Europa

Quando assinou sua renovação com o Barcelona no final de junho, Neymarteve um aumento de 66%: seus ganhos saltaram de 9 milhões de euros (cerca de R$ 32 milhões) para 15 milhões de euros (o equivalente a R$ 53,7 milhões) por temporada.
Essa evolução percentual vai à casa dos milhares se comparado ao primeiro contrato profissional do atleta, firmado oito anos atrás com o Santos, por R$ 20 mil mensais.
Desde 2008, os vencimentos do atacante, sem considerar os valores de publicidade, cresceram impressionantes 22.400%. A inflação no Brasil, neste período, foi de 73%.
O acordo deve fazer com que Neymar ganhe algumas posições no ranking de esportistas mais ricos do mundo, feito pela revista Forbes. Ainda longe do rival Cristiano Ronaldo, que lidera a lista com R$ 281 milhões, Neymar apareceu na 21ª posição, com ganhos totais de R$ 120 milhões, somados salários e patrocínios. A publicação considera, porém, o período entre 1 de junho de 2015 e 1 de junho deste ano, antes, portanto, da renovação.
Esse caminho foi percorrido com gols, títulos, mas também com negócios que ainda hoje geram polêmica e estão na mira da Receita Federal e das justiças do Brasil e da Espanha.
No começo de julho, o juiz José de la Mata, de Madri, arquivou uma ação criminal contra o jogador – a promotoria local já recorreu –, mas a decisão de 39 páginas detalha cada passo dos acordos que fizeram Neymar ascender de promessa santista a estrela global.
Agora campeão olímpico e elogiado por suas atuações nos jogos de estreia de Tite como técnico da Seleção na última semana, Neymar retornou à Espanha para finalmente se apresentar a seu clube para esta temporada após 109 dias longe do Barcelona.
A expectativa é de que ele esteja à disposição para a partida deste sábado, contra o Alavés, no Camp Nou, pelo Campeonato Espanhol, para começar a justificar os altos números de seu novo contrato. Por ele, o Neymar de hoje recebe, num único dia, o mesmo que o Neymar de 2008 demorava quase oito meses para juntar. O GloboEsporte.com mostra como isso aconteceu.
O primeiro milhão
Em maio de 2006, Neymar cedeu gratuitamente seus direitos de imagem à NR Sports, a primeira das empresas criadas por seu pai para gerir a carreira do atleta. O GloboEsporte.com revelou, em fevereiro, que neste contrato o jogador é qualificado como “maior de idade” e “profissional”, apesar de ter 14 anos e ainda ser atleta em formação à época – um dos indícios de falsidade ideológica que suportam denúncia do Ministério Público Federal em São Paulo contra o atacante, o pai dele e as empresas da família.
Impedido por lei de pagar salários ao adolescente que já era assediado por potências europeias, o Santos, quase simultaneamente, acertou a compra desses direitos de imagem por R$ 1,7 milhão – um acordo, entre outros, que levou o Fisco a aplicar uma primeira multa a Neymar, de R$ 460 mil, por sonegação. Em agosto, o jogador desistiu de recorrer e pagou a sanção.
O primeiro vínculo profissional é assinado dois anos depois, em 5 de fevereiro de 2008, dia em que o garoto completou 16 anos, idade mínima para isso. As bases: salário de R$ 20 mil, multa de 30 milhões de euros e direitos econômicos divididos entre o clube (60%) e o jogador (40%).
A entrada dos investidores
Hoje em litígio com a família de Neymar, o fundo de investimentos DIS pagou R$ 5 milhões em 6 de março de 2009 para comprar os 40% dos direitos que estavam com o pai do atacante, Neymar da Silva Santos. Outros R$ 500 mil foram para o agente Wagner Ribeiro, em comissão.
No mesmo dia, véspera da estreia de Neymar pelo Santos (ele entra no segundo tempo da vitória sobre o Oeste por 2 a 1, no Pacaembu), o clube ampliou o vínculo que estava em vigência até março de 2014, com aumento salarial (R$ 25 mil).
As explosões esportiva e financeira se consumaram na temporada seguinte. Comandante de um time inesquecível que venceu o Paulista e a Copa do Brasil em 2010, Neymar negociou com o Chelsea, disposto a pagar a multa de 30 milhões de euros, mas decidiu ficar.