Como foi o sábado na Africa do Sul

Apesar da eficiência de dois de seus defensores no momento decisivo da partida, a Argentina mostrou fragilidade na marcação. Por enquanto, porém, nada capaz de amassar o terno do técnico Maradona, impecável em seu figurino à Cesar Luís Menotti (ou Luxemburgo, cada um que escolha sua referência). Messi, a estrela da companhia, esteve inspirado e mostrou que anda mesmo muito a fim de ser o dono dessa Copa. Mas esbarrou em um goleiro que atua no pouco  badalado futebol israelense: Enyeama, 28 anos. Na já longínqua Copa de 2002, ele  havia fechado o gol nigeriano em um jogo contra a Inglaterra. Hoje, demonstrou reflexos e agilidade incríveis em três arremates de Messi e três de Higuaín. Acabou ofuscando ninguém menos que o melhor jogador do mundo em Joanesburgo.

Após o jogo, em autocrítica dirigida ao time como um todo, mas, lógico, também falando por si, Messi mencionou o nervosismo da seleção argentina. “A ansiedade pela estreia apresentou sua conta”, disse La Pulga, feliz por ter conseguido pagá-la e sair, levinho e saltitante, com três pontos no bolso.

Já a Inglaterra…. Começou na base do “joga bonito” contra os Estados Unidos, em Rustemburgo. Aos 4 minutos, a bela triangulação começada por Rooney resultou em passe açucarado e caramelizado de Heskey para Gerrard, que botou pra dentro. Depois do início fulgurante,  porém, o time treinado pelo italiano Fabio Capello deu uma maneirada e meio que se acomodou. “Foi levando na boa”, como definiu na transmissão da TV Globo o Cléber Machado, o verdadeiro (não o do Twitter). E aí vieram tragédia e comédia juntinhas, coladinhas, no clima do dia. Aos 40 minutos, Dempsey tentou um chuteco despretensioso, maroto mesmo, de fora da área. A bola veio fraca e pererecou duas vezes no solo antes de chegar ao alcance de Green e de suas mãos… furadas. Um peruzaço, um frango gigantesco, um avestruz histórico. Na transmissão em tempo real do jornal “Guardian”, causou as seguintes exclamações instantâneas: “Oh my God! Foi um show de horror! (…) O pior frango que você vai ver nesta Copa!”
Robert Green frango gol EUARobert Green: mãozinha mole na estreia (Foto: AP)

Robert Green, arqueiro do West Ham, 30 anos, só estava ali por causa das penosas papadas recentemente por seu colega David James, 40 anos, do Portsmouth, o favorito de Gordon Banks para o time titular. E acabou confirmando os temores de boa parte dos torcedores ingleses. O pior goleiro do English Team não é nem James, nem Green, nem o pobre Joe Hart, terceira opção do treinador. O pior é sempre aquele que entra. No segundo tempo, Green ainda salvou um tiro à queima-roupa de Altidore. Mas depois que se vê as imagens do lance na malvada câmera lenta, ficou esquisito para ele: deu para perceber que a bola passou pelo meio de seus desajeitados braços antes de explodir na trave.

Ao fim da partida, os americanos comemoraram o bom resultado: 1 a 1. Nem o apito do polêmico juiz brasileiro Carlos Eugênio Simon, nem as bombas dos terroristas que tinham ameaçado agir em Rustemburgo… nada atrapalhou o jogo. Mas ficou um gostinho de decepção: o grande futebol e a fartura de gols ainda não estrearam nesta Copa do Mundo.

Ah, sim, houve também um jogo mais cedo, entre Coreia do Sul e Grécia, em Port Elizabeth. E, de onde não se esperava muito, veio alguma coisa. Se antes do apito inicial, cronistas definiam a partida como duelo entre a correria asiática e o ultrapassado ferrolho helênico, após os 90 minutos, sobraram aplausos para o futebol veloz dos coreanos, liderados por Park Ji-Sung, do Manchester United. Um lance bizarro marcou o confronto e fez o torcedor brasileiro lembrar a derrota para a Itália em 1982: Torosidis deu um longo passe à la Cerezo, fazendo a bola cruzar perigosamente a intermediária de seu campo; Vyntra recebeu o presente de grego mostrando ser uma tragédia no domínio de bola e, pronto, azedou. Autêntica perebada, que deixou nos pés de Ji-Sung a tarefa de selar o 2 a 0 no placar.