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Boxe em alta

Compreender um dos significados da rivalidade é fechar o dia feliz da vida por causa de uma vitória e aborrecido por culpa de uma derrota para a Argentina. Duas vezes: uma para o bem, no vôlei, outra para o mal, no basquete. Duas faces de uma moeda: Brasil classificado de um lado, com triunfo de 3 sets a 0, e Brasil eliminado de outro, com derrota por 82 a 77. Mas as Olimpíadas teimam em nos dar alguns avisos, e um deles indica que a ideia de rivalidade pode não ser só isso. Ou melhor: pode ser bem mais do que isso.

Duas formas de dar adeus às quartas de final

Os dois jogos eram uma despedida das quartas de final: ou em direção às semifinais, ou rumo à eliminação. A seleção de vôlei experimentou a primeira sensação, e coube ao basquete vivenciar a segunda.

A equipe de Bernardinho não teve problemas. Passou incólume, com parciais até folgadas: 25/19, 25/17, 25/20. Murilo e Sidão foram alguns dos destaques da equipe. Mas nem tudo foi alegria. Leandro Visotto sentiu dores na virilha e deve ser desfalque na semifinal.

E que semifinal. As probabilidades indicavam que o poderoso time americano, algoz do Brasil na primeira fase, seria o oponente verde-amarelo na busca por lugar na final. Faltou combinar com uma Itália quase sobrenatural. Os europeus atropelaram os Estados Unidos: 3 sets a 0, parciais de 28/26, 25/20 e 25/20. Será uma reedição da final de Atenas 2004.

O sucesso do vôlei pela manhã não foi repetido pelo time de basquete à tarde. Por mais promissor que fosse o primeiro quarto, com vitória de 26 a 23, a inconsistência da equipe brasileira nos dois períodos seguintes jogaram por água abaixo as esperanças. A Argentina tomou conta do jogo. Chegou a abrir 12 pontos.

Foram muitos erros, especialmente em lances livres: 12 em 24. No último quarto, a distância despencou, chegou a quatro pontos, alimentou esperanças. Mas em vão. A Argentina teve o cestinha da partida, Scola, com 17 pontos. E a vaga nas semifinais. Assim, o Brasil dá mais um elemento à série de quedas para os vizinhos. Já havia acontecido no Pré-Olímpico de Las Vegas em 2007, no Mundial da Turquia em 2010 e na final do Pré de Mar del Plata no ano passado. Um consolo: os “hermanos” agora pegam os Estados Unidos nas semifinais.

Tons de bronze

Existem bronzes e bronzes. Juliana e Larissa tiveram toda a razão do mundo em celebrar a vitória de 2 sets a 1 (parciais de 11/21, 21/19 e 15/12) sobre as chinesas Zhang e Xue na disputa pelo terceiro lugar. Mas foi uma espécie de prêmio de consolação para a dupla. Afinal, elas tinham esperança de ouro e faziam campanha impecável até cair nas semifinais para as americanas April e Ross – que acabariam derrotadas nesta quarta-feira pelas compatriotas Walsh e May, agora tricampeãs olímpicas.

Foi o primeiro pódio olímpico da parceria. Em 2008, Juliana se machucou pouco antes dos Jogos de Pequim, e Larissa, ao lado de Ana Paula, acabou eliminada nas quartas de final. Desta vez, elas conseguiram ir ao pódio.

– É como se essa medalha fosse de ouro para nós – disse Juliana.

O bronze delas foi conquistado com uma vitória. Mas talvez o sabor da medalha de Adriana Araújo, mesmo com derrota, tenha sido mais saboroso. Aos 30 anos, ela era uma desconhecida da maioria até trilhar seu caminho rumo às semifinais olímpicas. Nesta quarta, entrou no ringue para encarar a russa Sofya Ochigava. Não conseguiu vencer. Achou o placar final da derrota de 17 a 11 um tanto injusto, mas garantiu uma medalha que a tomou de orgulho. E de lembranças.

Adriana aproveitou o momento para desabafar. Surpreendeu ao atacar o presidente da Confederação Brasileira de Boxe, Mauro José da Silva. Disse que foi humilhada por ele. Alegou ter escutado dele que não tinha condições de disputar os Jogos. Argumentou que agora usa a medalha para “calar a boca” dele.

A medalha de Adriana foi a 100ª ganha pelo Brasil na história dos Jogos Olímpicos. E não será a única do boxe verde-amarelo em Londres. Os irmãos Falcão também estão lá. Depois de Esquiva Falcão garantir lugar nas semifinais, nesta quarta-feira foi a vez de Yamaguchi. E com um triunfo muito expressivo.

Ele bateu ninguém menos que o campeão mundial dos meio-pesados, o cubano Julio la Cruz Peraza. Foi uma luta complicada, equilibrada: empate no primeiro round, vitória do brasileiro por um ponto no segundo, vitória dele por mais dois pontos no terceiro. E medalha assegurada: 18 a 15. No boxe, quem chega às semifinais leva pelo menos o bronze automaticamente.

Fonte: GLoboesporte.com