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Análise: Brasil de Tite funciona apenas em poucos minutos e sofre sem pressionar Senegal

Casemiro e Arthur roubaram uma bola cada no início de jogo contra Senegal no campo de ataque. Agressivo, o Brasil pressionou e envolveu o time africano – com toque de bola e busca de tabelas em espaço curto – por alguns minutos no estádio Nacional de Singapura. Passou a impressão de que deixaria os 20 mil presentes felizes com boa atuação. Mas logo passou.

O empate por 1 a 1 terminou sendo frustrante para os planos de Tite, que imaginava ver o funcionamento do seu 4-4-2 – com mudanças sutis, mas significativas de Neymar e Coutinho – com as seguintes ideias:

  • Neymar ficaria mais avançado e centralizado sem a bola, mas abriria na esquerda com ela. O camisa 10 praticamente não driblou pela ponta. Os lances que Gabriel Jesus teve no mano a mano contra marcadores pela direita simplesmente não se repetiram pela esquerda.
  • Coutinho fecharia a esquerda sem a bola, mas procuraria o centro e as trocas de passes com Neymar para tabelas e infiltrações. O que aconteceu muito pouco. Foi com Daniel Alves que Coutinho mais trocou passes.
  • A nova disposição do bloco da frente – da direita para a esquerda, com Gabriel Jesus, Firmino, Neymar e Coutinho – exigiria marcação forte quando o Brasil perdesse a bola. De preferência com a retomada dela no campo de ataque. O que aconteceu apenas no início do jogo, já que depois o Brasil perdeu terreno.

Enquanto o sistema funcionou no início da partida, o Brasil avançava com passes verticais desde a defesa, com Marquinhos ou Thiago Silva até, antes da dupla de volantes, para Coutinho ligar Gabriel Jesus. Foi assim que saiu o gol de Firmino. Daniel Alves, sempre indo ao centro, também fez o time procurar jogadas.

Faltou Arthur, faltou Neymar

Depois de sofrer nos minutos iniciais, Senegal conseguiu fechar bem os espaços para a bola chegar em Gabriel Jesus. Era hora de outras saídas do Brasil. Da chegada de Casemiro ou Arthur, principalmente, de variações para confundir o adversário com ultrapassagens pela esquerda. Alex Sandro chegou próximo da linha de fundo no primeiro tempo – acertou bom cruzamento para Firmino -, mas não é exatamente esta sua característica. Renan Lodi, do Atletico de Madrid, pode ser mais ofensivo para esta função.

Tite foi questionado sobre a falta de participação dos volantes na construção de jogadas. O treinador sabe que o encaixe do meio-campo vai ser fundamental para a longa remontagem de equipe – um processo em curso desde o início avassalador das eliminatórias com Casemiro, Paulinho e Renato Augusto.

Neymar não esteve em dia inspirado — Foto: Pedro Martins / MowaPress

Neymar não esteve em dia inspirado — Foto: Pedro Martins / MowaPress

Após o empate com Senegal, ele disse que orienta os volantes a ficar em diagonal um em relação ao outro. Ou seja, se Casemiro fecha um pouco, preocupado com a cobertura mesmo quando o Brasil tem a bola, Arthur deve se infiltrar mais, buscar triangulações, “atacar o espaço”. Nem que seja para deslocar a marcação. Mas esteve “abaixo do padrão”, como disse Tite, que promoveu a estreia de Matheus Henrique.

Fonte: Globo Esporte