O presidente do Vitória, Fábio Mota, negou que o clube tenha salários atrasados após a divulgação de dados do Painel de Solvência da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), que apontou pendências financeiras do Rubro-Negro em três categorias: salários, transferências de jogadores e impostos. Em entrevista ao Canal do Dinâmico, nesta quinta-feira (22), o dirigente afirmou que os pagamentos a atletas e funcionários estão em dia, mas reconheceu débitos com o poder público, empresários e outros clubes.
“Os salários dos atletas e dos funcionários não estão atrasados. O que está atrasado são impostos, empresários e clubes. Salários, imagens e bicho estão em dia. Ou melhor, adiantados. Os funcionários também estão com os salários em dia”, declarou Fábio Mota.
Os dados da ANRESF se referem à situação financeira dos clubes em 30 de junho de 2026 e foram informados pelas próprias equipes no ciclo de julho. O levantamento abrange os 40 participantes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro e considera três categorias de obrigações financeiras: salários de atletas e funcionários, pagamentos relacionados a transferências de jogadores e tributos devidos ao poder público.
Ao todo, 25 dos 40 clubes das duas principais divisões do futebol brasileiro foram apontados por possuir algum tipo de dívida em atraso. Entre as 20 equipes da Série A, 13 informaram pelo menos uma pendência financeira.
Além dos débitos vencidos, o levantamento aponta que as dívidas acumuladas pelos clubes das Séries A e B chegaram a R$ 19,99 bilhões, considerando os balanços financeiros encerrados em 31 de dezembro de 2025. O valor corresponde ao endividamento total registrado pelas equipes e não apenas às obrigações em atraso.
CRISE DAS BET
A situação financeira do Vitória também foi afetada pela perda de receitas com o patrocínio da 7K, após mudanças nas regras para a publicidade de empresas de apostas esportivas no Brasil. Em entrevista ao Bahia Notícias, em setembro, Fábio Mota afirmou que o rompimento do contrato comprometeu o planejamento financeiro do clube, que contava com os valores do acordo até dezembro de 2027.
Segundo o dirigente, a perda representaria cerca de R$ 9 milhões em receitas em 2026. Para 2027, o impacto projetado chegaria a R$ 45 milhões, considerando os valores previstos no contrato, além das perdas com publicidade em placas de estádio.
Na ocasião, Mota alertou que a redução das receitas poderia dificultar o cumprimento de compromissos financeiros já assumidos pelo clube, incluindo acordos de renegociação de dívidas e obrigações tributárias. O presidente também mencionou a possibilidade de negociar jogadores do elenco para recompor parte dos recursos perdidos.
Na 13ª colocação da Série A, com 37 pontos, cinco a mais que o Internacional, primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Vitória volta a campo neste sábado (24), às 16h30, contra o Athletico-PR, no Barradão, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.