13º Dia

Por segundos

Nos três minutos de cada round, um segundo pode valer uma eternidade. Diogo Silva dorme nesta quinta-feira sabendo disso melhor do que ninguém. Ao chegar às semifinais do taekwondo e encarar o iraniano Mohammed Bagheri Motamed, vice-campeão mundial, ele teve que congelar os ponteiros para, nos instantes finais, faltando três segundos, encaixar um golpe surreal, coisa de filme de artes marciais, e empatar a batalha em 5 a 5 – ele perdia por 5 a 1, e o golpe rodado na cabeça do adversário valeu quatro pontos. Foi por muito pouco, no detalhe, que ele conseguiu levar a disputa ao golden score, uma espécie de prorrogação.

Foto: Reuters

Nela, os detalhes voltaram a prevalecer. Nenhum dos atletas pontuou. A decisão caiu no colo da subjetividade dos árbitros. Eles teriam que analisar os prós e contras de cada um e indicar quem merecia vaga na final. E optaram pelo iraniano. Uma injustiça, na visão do brasileiro, que adotou uma espécie de protesto sócio-político para questionar a decisão.

Restou a luta pelo bronze para Diogo. E detalhes que sequer podem ser contados em um estalar de dedos, de tão rápidos, foram decisivos. O brasileiro acertou um golpe no americano Terrence Jennings quando a luta se encaminhava para o final, novamente com empate. Era esperar o golden score mais uma vez. Ou não. Faltando menos de um segundo, o adversário atingiu a cabeça do paulista. Repitamos: faltava menos de um segundo. Foi no exato instante em que o cronômetro migrou do um para o zero. Naquele triz, Diogo perdeu a medalha.

Por centímetros
Alguém teria que vencer. E vencer por detalhes, por muito pouco, por centímetros. Alison e Emanuel deram provas, ao longo dos Jogos, de que eram uma dupla muito, muito, muito forte. Mas os alemães Brink e Reckermann, campeões mundiais em 2009, ofereceram os mesmos avisos. Por exemplo: eliminaram Ricardo e Pedro Cunha nas quartas de final.

Foi tão equilibrado quanto poderia ser. No primeiro set, vitória dos alemães – 23/21; no segundo, troco dos brasileiros – 21/16. Tie-break. E um sofrimento danado…

Alison e Emanuel começaram melhor o set final. Mas os adversários reagiram. E abriram vantagem. Tudo parecia perdido quando eles alcançaram 14 a 11. Mas a dupla brasileira salvou o primeiro match-point. E o segundo. E o terceiro. Incrível: 14 a 14.

Quando bateu o otimismo, veio a queda. Os dois pontos seguintes foram dos alemães. O último foi um ataque para fora de Emanuel. Por centímetros. Por detalhes. Enquanto os alemães comemoravam, eufóricos, os brasileiros olhavam para a marca da bola na areia, alegando que tinha sido dentro. Mas não foi. Por alguns grãos, não foi.

Por uma imensidão

É bem verdade que a vitória histórica sobre a Rússia nas quartas de final, depois de salvar seis match-points, havia dado moral às brasileiras. Mas soaria otimismo exagerado esperar uma vitória tão fácil sobre o Japão. Sheilla, Jaqueline, Dani Lins e sua turma passearam nas semifinais: 3 sets a 0.

Venceram por uma imensidão. As parciais escancaram a superioridade: 25/18, 25/15, 25/18. Fabiana e Sheilla foram as maiores pontuadoras da partida – 13 cada, seguidas por Thaisa, com 12, quatro deles de bloqueio.

Brasileiros

Poliana Okimoto chegou a Londres como candidata a figurar no pódio da maratona aquática. Mas parou em uma adversária sempre temida por ela: a hipotermia (quando a temperatura do corpo fica abaixo de 35 graus). Na quinta das seis voltas, a brasileira desistiu. Ao sair do lago, a atleta teve um desmaio e foi levada de cadeira de rodas para o centro médico. Ela passa bem.

No atletismo, o Brasil avançou à final dos 4x100m para mulheres. A equipe verde-amarela, formada por Ana Cláudia Silva, Franciela Krasucki, Evelyn Carolina e Rosângela Santos, terminou em quarto na primeira bateria e avançou para a decisão com o sexto melhor tempo do dia – 42s55. As mais rápidas foram as americanas, com 41s64.

No decatlo, Luiz Alberto de Araújo não teve bom desempenho nas três provas que disputou na manhã desta quinta-feira e caiu para a 17ª colocação geral. Ao fim do dia, perdeu mais um pouco de espaço e encerrou sua participação em 19º. O ouro foi para o americano Ashton Eaton.O dia também apresentou brasileiros na canoagem. Erlon Silva e Ronilson Oliveira disputaram a final B da categoria C2 (canoa para duas pessoas) de 1.000m, ficaram em segundo e, assim, fecharam sua participação nos Jogos de Londres com a décima colocação.
A final será sábado. E contra o osso mais duro de roer. Os Estados Unidos chegaram lá ao fazer 3 sets a 0 na Coreia do Sul – parciais de 25/20, 25/22 e 25/22. Hooker, a craque do time, fez 24 pontos. Quase um set inteiro…

Fonte: Globoesporte.com