Elenco do Fluminense abre mão de salário integral ao se posicionar contra volta

Em impasse com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), o Fluminense tem sido a voz mais dissonante sobre o retorno do futebol carioca. Além da postura do presidente Mario Bittencourt, o clube tricolor também teve uma participação importante de seus atletas, que, na última quarta-feira (17), divulgaram um manifesto protestando contra a volta do Estadual. Pelo posicionamento, o elenco abriu mão de dinheiro.

Isso porque o acordo celebrado em março entre jogadores e diretoria funcionava da seguinte maneira: naquele mês, os vencimentos foram reduzidos em 15%; abril teria duas parcelas, sendo 50% no próprio mês e a outra metade em dezembro, e maio uma redução de 25%.

O consenso era de que se a pandemia do novo coronavírus invadisse junho, o pagamento deste mês seria rediscutido. Caso o Fluminense entrasse em campo nos dias 22 e 25 de junho, datas escolhidas pela Ferj e, na visão do clube, impostas para o retorno, os atletas receberiam vencimentos integrais referentes ao mês.

Mesmo assim, os jogadores se alinharam ao posicionamento institucional do clube. Ao se posicionar pelo retorno em julho, o elenco terá mais um mês reduzido, ainda que não haja martelo batido quanto ao percentual, que tende a ficar mais próximo aos 25% do mês de maio.

A comissão técnica liderada por Odair Hellmann —que também postou o manifesto— teve o mesmo posicionamento.

Líderes do vestiário, como o capitão Digão e os experientes Muriel, Hudson, Henrique, Nenê e Fred, além dos jovens e politicamente ativos Igor Julião e Nino, foram as principais vozes do movimento criado de forma independente pelos jogadores, que não teve dissonantes.

A diretoria, por meio dos jogadores, foi apenas informada do manifesto, e deu seu apoio à causa.

Um dos mais respeitados no grupo, o meia Paulo Henrique Ganso foi o único do elenco profissional a não publicar o manifesto em suas redes sociais. Procurado pela reportagem, ele preferiu não se manifestar. Além dele, apenas poucos jovens do sub-23 não postaram o texto.

por Folhapress