Críticas sobre presença norte-coreana nos Jogos de Inverno revelam mudança na Coreia do Sul

SEUL (Reuters) – O acordo fechado entre as duas Coreias para desfilar sob uma bandeira única e compor um time conjunto de hóquei no gelo feminino na Olimpíada de Inverno do próximo mês foi recebido com duras críticas na Coreia do Sul nesta quinta-feira, destacando uma mudança de atitudes em relação ao vizinho do norte.

A controvérsia revela um público sul-coreano bem menos interessado na ideia de uma unidade intercoreana do que as gerações anteriores, dizem analistas, em uma mudança que pode afetar os esforços de reconciliação do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, com Pyongyang.

A participação da Coreia do Norte na Olimpíada de Inverno na cidade sul-coreano de Pyongchang tem sido vista como uma vitória de Moon, que espera usar o evento para conquistar um avanço diplomático no impasse causado pelos programas nuclear e de míssil norte-coreanos.

A presença norte-coreana também alivia as preocupações de que Pyongyang pode ofuscar os Jogos com outro teste de armas.

Entretanto, os passos de Moon para integrar as duas Coreias na Olimpíada de Inverno desencadearam duras reações que vão além de seus tradicionais detratores conservadores, incluindo sua principal base de apoio, composta por jovens sul-coreanos insatisfeitos com a Coreia do Norte roubando o holofote.

“A Coreia do Norte só queria lançar mísseis no ano passado, mas de repente eles querem vir à Coreia do Sul para a Olimpíada? Quem decide isso?”, disse Kim Joo-hee, um tradutor de 24 anos, à Reuters em Seul. “A Coreia do Norte tem tantos privilégios que pode fazer o que quiser?”.

O gabinete de Moon se recusou a comentar, dizendo apenas que os dois países irão coordenar logísticas para a Olimpíada que começa no dia 9 de fevereiro.